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Princípios contabilísticos: quais são e como se aplicam na sua empresa

Os princípios contabilísticos são as regras de base para registar os factos e preparar as contas.

Guia da EINAZ, gabinete de contabilidade no Porto: os princípios explicados com exemplos de um pequeno negócio e a ligação ao SNC.

  • Publicado em 22 de outubro de 2023
  • Atualizado em 13 de outubro de 2026
  • Autor: EINAZ
  • Contabilidade
  • SNC
  • Guia prático

Princípios contabilísticos em resumo

São a razão de uma fatura de dezembro contar em dezembro, mesmo paga em janeiro.

  • Regras de base: Dizem quando e por que valor se regista cada operação, para que as contas de qualquer empresa se leiam da mesma maneira.
  • Dois pressupostos no SNC: O Sistema de Normalização Contabilística assume o regime do acréscimo (especialização do exercício) e a continuidade.
  • Sete nomes mais usados: Continuidade, especialização, consistência, comparabilidade, custo histórico, prudência e materialidade.
  • Aplicam-se todos os dias: Decidem em que mês entra uma fatura, como se regista um bem e quando uma dívida de cliente é perda.

O que são os princípios fundamentais de contabilidade

Servem de base às demonstrações financeiras: do ativo ao passivo, tudo se regista segundo estas regras.

  • Norma e princípio: A norma diz como registar um caso concreto. O princípio é a ideia de fundo que a norma segue.
  • Pressupostos do SNC: São dois: o regime do acréscimo e a continuidade, num futuro previsível.
  • Características qualitativas: A informação tem de ser relevante, fiável, comparável e compreensível para quem lê as contas.
  • Mensuração: Define por que valor entra cada ativo e cada passivo, por exemplo o custo histórico.

Quais são os princípios e conceitos contabilísticos fundamentais?

Cada princípio, com um exemplo de um pequeno negócio.

PrincípioO que quer dizerExemplo num pequeno negócio
ContinuidadeA empresa vai continuar a funcionarUma carrinha compra-se de uma vez e gasta-se ao longo dos anos
Especialização do exercícioRegista-se quando acontece, não quando se pagaUm jantar de dezembro, pago em janeiro, é de dezembro
ConsistênciaOs mesmos critérios de um ano para o outroSe o equipamento se gasta em linha reta, mantém-se assim
ComparabilidadeAs contas de anos e empresas leem-se lado a ladoCompara o resultado deste ano com o do anterior
Custo históricoOs bens entram pelo que custaramUm forno comprado por 4 000 € entra por 4 000 €
PrudênciaNão se inventam lucros nem se escondem riscosUm cliente que não paga é tratado como perda provável
MaterialidadeSó conta o que muda a decisão de quem lêUma resma de papel não precisa do mesmo cuidado que um forno
Substância sobre a formaConta o que a operação realmente éUm contrato de locação financeira (leasing) pode ser, na prática, uma compra a prestações
EntidadeA empresa é uma coisa, o dono é outraA conta bancária do dono e a da empresa não se misturam

Estes nomes vêm do antigo POC. O SNC arruma a mesma ideia em pressupostos e características da informação financeira.

Princípio da especialização do exercício, com um exemplo

Regista-se cada rendimento e cada gasto no mês a que pertence, não quando o dinheiro muda de mão.

Um jantar em dezembro

O restaurante emite a fatura de 1 000 € a 20 de dezembro e o cliente paga a 5 de janeiro. O rendimento é de dezembro.

A renda adiantada

A renda de janeiro, paga em dezembro, é um gasto de janeiro. Em dezembro fica como pagamento adiantado.

A fatura da luz

A luz de dezembro chega em janeiro. No fecho do ano conta como gasto de dezembro, ainda por pagar.

O que muda para o dono

O resultado de cada mês fica certo. Sabe se ganhou ou perdeu, e não apenas se entrou ou saiu dinheiro.

Sem este princípio, o resultado de cada mês dependia de quando se paga, e não do que se vendeu e gastou.

Consistência e comparabilidade: critérios iguais, contas comparáveis

Duas regras que se ajudam: mesmos critérios todos os anos, para as contas se poderem comparar.

  • Consistência: Se o equipamento se gasta em linha reta, mantém-se assim de um ano para o outro.
  • Comparabilidade: Só se compara o lucro de 2024 com o de 2025 se foram medidos da mesma forma.
  • Mudar critério: Só se muda com razão forte, e a mudança explica-se nas notas das contas.
  • Quem lê as contas: O banco e as Finanças querem ver a evolução, não só um ano isolado.

Continuidade, custo histórico e prudência

Os três princípios que mais mexem com o valor dos bens e das dívidas.

  • Continuidade: Assume-se que o negócio continua. Por isso uma carrinha de 20 000 € gasta-se em vários anos e não de uma vez.
  • Custo histórico: O bem entra pelo que custou. Se o mercado sobe ou desce, o valor de entrada não muda sozinho.
  • Prudência: Um cliente que não paga há meses é uma perda provável. No SNC regista-se uma perda por imparidade.
  • Se a continuidade falha: Com a empresa em risco de fechar, os valores dos bens e das dívidas têm de ser revistos.

Princípio da materialidade e da entidade: o que entra nas contas

A empresa tem contas próprias, e nem tudo precisa do mesmo detalhe.

  • Entidade: Uma despesa pessoal paga pela empresa não é gasto do negócio. Fica registada como conta do dono ou do sócio.
  • Empréstimo do sócio: Dinheiro que o sócio empresta à empresa não é rendimento. Regista-se como dívida da empresa para com ele.
  • Materialidade: Uma compra de 10 € de papel não pede o cuidado de um forno de 4 000 €.
  • Onde está o limite: A fronteira entre pequeno e relevante depende do tamanho do negócio. O contabilista decide caso a caso.

Do POC ao SNC: o que mudou nas regras

O SNC substituiu o Plano Oficial de Contabilidade (POC) nos exercícios iniciados desde 1 de janeiro de 2010.

CritérioPOCSNC
OrigemPlano oficial, com contas e modelos fixosNormas próprias, alinhadas com as normas internacionais
Regras de baseLista de princípiosPressupostos e características da informação financeira
DemonstraçõesBalanço e demonstração dos resultadosBalanço, demonstração dos resultados e outras, conforme a dimensão

As ideias dos princípios mantiveram-se. O que mudou foi a forma de as organizar.

Ver também: O que é o balanço patrimonial

Para que servem os princípios na gestão do negócio

Contas feitas com estas regras dizem a verdade sobre o mês.

  • Resultado do mês certo: Sabe se ganhou ou perdeu dinheiro naquele mês, e não só se entrou dinheiro.
  • Contas que o banco lê: Contas feitas pelas mesmas regras são mais fáceis de comparar com as de anos anteriores.
  • Menos surpresas fiscais: Faturas registadas no mês certo tornam as contas mais fáceis de explicar às Finanças.
  • Decisões com números: Preços, compras e contratações assentam em margens reais.

Erros comuns em pequenos negócios

Aparecem quase sempre em contas feitas só pelo extrato do banco.

  • Contar só o que recebe: As faturas por receber e por pagar ficam de fora e o mês parece melhor ou pior do que é.
  • Misturar contas: Pagar despesas da casa com o cartão da empresa estraga a conta do negócio.
  • Mudar critérios sem aviso: Mudar a forma de contar o stock cada ano impede comparações.
  • Esquecer dívidas de clientes: Dívidas antigas contam como se fossem dinheiro garantido.

Perguntas frequentes sobre princípios contabilísticos

O que são princípios contabilísticos?

São as regras de base que orientam o registo e a apresentação das contas de uma empresa.

Garantem que contas de empresas e de anos diferentes se leem da mesma maneira.

Quais são os princípios contabilísticos?

Os mais conhecidos são a continuidade, a especialização do exercício, a consistência, a comparabilidade, o custo histórico, a prudência e a materialidade.

A entidade e a substância sobre a forma completam a lista.

O que é o princípio da especialização do exercício?

É registar cada rendimento e cada gasto no período a que pertence, e não quando se recebe ou se paga. Também se chama regime do acréscimo.

O que é o princípio da consistência?

É usar os mesmos critérios contabilísticos de um exercício para o outro. Uma mudança só se justifica com razão forte e tem de ser explicada.

O que é o princípio da comparabilidade?

É a possibilidade de comparar as contas de uma empresa ao longo do tempo e com as de outras. Depende de critérios iguais e de informação clara.

O que é o princípio da materialidade?

É dar atenção ao que muda a decisão de quem lê as contas. Um valor pequeno pode ser agrupado, um valor grande não.

O que é o princípio da prudência?

É não registar lucros que ainda não existem e reconhecer perdas prováveis. Evita contas demasiado otimistas.

O que é o princípio da continuidade?

É assumir que a empresa vai continuar a funcionar no futuro previsível. Só assim se pode gastar um bem ao longo da sua vida útil.

O que são princípios contabilísticos geralmente aceites?

É a expressão usada noutros países para o conjunto das regras de base. Em Portugal, a referência é o SNC.

Os princípios contabilísticos mudaram com o SNC?

As ideias mantiveram-se. O SNC, aplicado aos exercícios iniciados a partir de 1 de janeiro de 2010, organizou-as em pressupostos e características da informação financeira.

Quem garante que estes princípios são cumpridos?

A gerência é responsável pelas contas. O contabilista certificado aplica as regras nos registos e assina a contabilidade organizada.

Quer as contas do seu negócio feitas assim?

A EINAZ presta serviços de contabilidade no Porto e aplica estas regras nos registos do seu negócio.

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